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Biografia de padre excomungado revela bastidores da Igreja Católica

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Cinco anos e meio depois, o padre Roberto Francisco Daniel, mais conhecido como padre Beto, de Bauru, sente diariamente as consequências de sua excomunhão pela Igreja Católica. Esses bastidores e a trajetória do padre rebelde são contados no livro de memórias “Padre Beto – A História do Excomungado no Século 21″, de 96 páginas, vendido a R$ 33 e o e-book, R$ 9.

Excomungado por causa de seus posicionamentos libertários e questionadores, ainda briga na Justiça para tentar reverter a medida e lida com decepção por ter sido excluído de uma comunidade religiosa que frequentava desde a infância, ao lado dos pais, católicos dedicados. Padre Beto celebra missas na igreja sem doutrinas que fundou, a Humanidade Livre, e é convidado para realizar casamentos alternativos em todo o país.

Em sua trajetória, estão incluídos episódios em que o padre testemunhou intrigas e disputas, superou melindres causados pelo destaque que conquistou na igreja e acompanhou o caso de um ex-seminarista que abandonou a vida religiosa após um caso de assédio sexual não punido. “Ele revela alguns episódios espinhosos do catolicismo”, diz a autora do livro de memórias. “Conta também como foi complicado encontrar no Brasil uma igreja conservadora e rancorosa, após os dez anos de estudos na Alemanha.”

A igreja que inspirou padre Beto na juventude era progressista e voltada para a atuação social. Após os anos de especialização na Universidade Estadual da Baviera Ludwig-Maximilian, em Munique, ele voltou com a intenção de contribuir para a modernização do catolicismo, mas enfrentou inúmeras barreiras até ser expulso sem direito a defesa.

O caso ganhou repercussão internacional e levou padre Beto a transformar-se em uma personalidade. Ele virou manchete em jornais e portais, deu entrevistas a vários programas de TV e foi convidado por partidos políticos a disputar eleições. Cristina Camargo cobriu o caso para o jornal Folha de S.Paulo na época e, depois, continuou acompanhando a vida do padre. Antes da punição, ela já havia feito outras matérias sobre o religioso para os jornais em que trabalhou em Bauru.

 

A escritora conta que padre Beto sempre chamou a atenção por sua postura questionadora e estilo diferente dos religiosos tradicionais. Chegou a Bauru, vindo da Alemanha, usando piercing, anéis, camisetas com a estampa de Che Guevara e dono de um discurso ácido contra o tradicionalismo.

Além disso, nunca escondeu o prazer de sentar em um bar e beber ao lado de amigos ou sozinho, o que espantava os mais conservadores. “Com a excomunhão, essa personalidade que já chamava a atenção em Bauru ganhou repercussão em todo o país e também no exterior. De um dia para o outro, ele ficou famoso, conquistou fãs, mas também virou alvo de muitos ataques.”

A jornalista considerou interessante contar a história completa de padre Beto por meio do livro de memórias. Os 12 capítulos foram escritos após longas rodadas de entrevistas com o religioso e pesquisas. “Muita gente não sabe, por exemplo, sobre o investimento que a Igreja Católica fez na formação europeia de padre Beto quando ele era um jovem e promissor líder religioso”, afirma.

Para o padre Beto, o importante é as pessoas entenderem que não importam os obstáculos encontrados na vida. “Somos capazes sempre de ir além de nossos limites. A liberdade é fundamental para o ser humano”, diz. O livro está disponível para compra no site da editora, clicando aqui, e pode ser encomendado nas principais livrarias.

 

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