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Aumenta o número de jovens formados em empregos que exigem menor qualificação

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Mergulhado em uma crise recessiva que estagnou a economia, com altos índices de desemprego, o Brasil não está se mostrando um país promissor para os jovens. É cada vez mais comum trabalhadores e trabalhadoras com formação superior ocuparem as vagas do mercado de trabalho que exigem menor qualificação. Não é raro se deparar com um engenheiro que é obrigado a ter de trabalhar no Uber para pagar as contas.

Aproximadamente 44% dos jovens entre 24 e 35 anos com diploma de faculdade estão nessa condição. Em 2012, a taxa era de 38%, segundo levantamento divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), com base nos dados do quarto trimestre de 2018.

“Um ciclo se rompeu”, avalia Graça Costa, secretária de Relações do Trabalho da CUT. Ela explica que durante os governos dos ex-presidentes Lula e Dilma, o Brasil criou condições para que milhões de brasileiros e brasileiras tivessem acesso ao ensino superior por meio de programas como o ProUni e o Fies e mais oportunidades no mercado de trabalho em funções mais qualificadas.

“Porém, a crise e as medidas recessivas do ilegítimo Temer, como a aprovação da terceirização irrestrita, a reforma Trabalhista e o congelamento dos investimentos públicos por 20 anos, jogaram o país na recessão e, com isso, a política de geração de empregos de qualidade para esses jovens foi interrompida”, aponta Costa.

A dirigente destaca, ainda, que a reforma Trabalhista de Michel Temer (MDB-SP) trouxe outras formas de contratação que precarizam as relações de trabalho, como o contrato parcial, intermitente e a contratação de Pessoa Jurídica, os chamados PJ’s, caso em que o trabalhador tem de abrir um CNPJ para ser um ‘fornecedor’ da empresa, abrindo mão de seus direitos.

“E os jovens e as mulheres são os primeiros a serem atingidos pelas consequências da precarização. Eles são os primeiros a serem demitidos e submetidos a novos contratos precários de trabalho”, afirma Costa.

A pesquisadora e técnica do Ipea, Maria Andrea Lameiras, aponta para uma outra consequência da crise que atinge o mercado de trabalho e afeta a inclusão dos jovens escolarizados. Segundo ela, as vagas que historicamente são ocupadas por trabalhadores de menor qualificação acabam sendo preenchidas por quem tem formação superior e os trabalhadores sem escolaridade acabam sofrendo com o desemprego ou a informalidade.

“Os trabalhadores formados acabam ocupando vagas de quem não tem escolarização”, estaca Lameiras.

Aumento da escolaridade nos governos do PT

A pesquisa do IPEA mostra que o percentual de brasileiros com nível superior passou de 10,2% em 2012 para 13,9% em 2018. Isso significa que o Brasil tem hoje um total de 19,4 milhões de trabalhadores com nível superior. Em 2010, eram 13,1 milhões.

Para a secretária de Relações do Trabalho da CUT, esse crescimento é uma conquista dos 13 de anos de governos do PT.

“Esse número aumentou porque muitos desses trabalhadores formados entraram na faculdade quando o Brasil tinha investimento na educação, com construção de universidades federais nas regiões mais afastadas do Brasil, além de programas que garantiram a inclusão do filho do pedreiro e da empregada doméstica na universidade”, pontua a pesquisadora.

Apesar da inclusão de milhões de jovens no ensino superior, boa parte não consegue vagas no mercado de trabalho na profissão que escolheram estudar. Hoje, 38% dos trabalhadores e trabalhadoras que cursaram a universidade estão exercendo funções de menor qualificação, diz a pesquisadora do Ipea, Maria Andrea Lameiras.

O país tem hoje uma população cada vez mais escolarizada, só que mais de um terço não consegue emprego compatível- Maria Andrea Lameiras

Vai ter luta

Graça Costa acredita que o governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro, não recuperará a situação econômica do país. Segundo ela, a concepção do novo governo é totalmente contrária ao ideal de desenvolvimento econômico com igualdade social e combate a qualquer tipo de discriminação que vinha sendo implantado no Brasil desde 2002, com Lula e Dilma, até o golpe de 2016.

“Estamos falando de um presidente eleito que pretende aprofundar a reforma Trabalhista e diz que o emprego tem que se aproximar do informal porque é difícil ser empresário no Brasil. Não é mais campanha de Bolsonaro. É plano. É a fala dele contra os trabalhadores”, diz a dirigente.

E para enfrentar esse cenário a dirigente defende que a CUT, maior central sindical do Brasil e quinta maior do mundo, por seu tamanho, deve assumir a grande responsabilidade de mobilizar a classe trabalhadora logo no começo do ano legislativo.

“O que vamos precisar é fazer muita luta para superar o que está previsto. Vamos começar mandando um recado direto aos parlamentares para não aprovarem a reforma da Previdência, que deve ser pautada por Bolsonaro no início do próximo ano”.

Segundo Graça, em abril de 2017, quando o ilegítimo Temer apresentou a sua proposta de reforma da Previdência, a CUT e as demais centrais já demonstraram, em uma das maiores greves da história, que o Brasil não quer a reforma da Previdência.

A pesquisa sobre os jovens no mercado de trabalho é um recorte do estudo A evolução da população ocupada com nível superior, também do Ipea, feito a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.

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