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Instituições precisam se fortalecer para resistir a autoritarismo de Bolsonaro, diz Marilena Chaui

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A resistência ao avanço do autoritarismo no país com a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) deverá ser feita sob a forma da organização institucional, defende a professora de filosofia da Universidade de São Paulo (USP) Marilena Chaui. Segundo ela, essa é uma estratégia para fortalecer a atuação da sociedade civil por meio dos centros estudantis, sindicatos, associações, movimentos sociais, entre outros, que devem operar como grupos institucionalizados de pensamento e ação.

Marilena falou no dia 1º a estudantes da USP, em debate realizado no prédio de História e Geografia, para discutir como organizar a resistência diante da ascensão do governo de extrema-direita. Marilena discursou depois dos professores André Singer e Vladimir Safatle, que também analisaram a conjuntura política e defenderam a consolidação de uma frente ampla de defesa da democracia, não organizada por partidos políticos, mas por representantes da sociedade civil.

“Vocês vivem um mundo que acabou, esse mundo de espontaneidade, do voluntarismo tem de ser colocado em compasso de espera para entrarmos em um processo lento para nossa organização institucional da resistência”, afirmou a professora, defendendo que as manifestações espontâneas na rua neste momento não vão fortalecer a luta, mas representam uma ação que é esperada pelo governo que está alçando poder e que vai usar a repressão a essas manifestações para encobrir a crise econômica pela qual o país passa.

“Eles querem que façamos as manifestações de rua, mas nós precisamos fazer um trabalho lento como é o da toupeira, que cava silenciosamente por debaixo da terra. E fazer isso sempre sob as formas institucionalizadas, foi isso que eu aprendi com os movimentos sociais e movimentos operários. Para eles (o governo autoritário), a melhor maneira de gerir a crise é atuar sobre as manifestações espontâneas”, afirmou.

Marilena falou também em consolidar esse trabalho em formas do pensamento e da prática para que a ação dos estudantes supere os limites das universidades, e também para criar um pensamento coletivo que escuta, responde, fala, apreende e se insere em uma dinâmica de trazer cada vez mais pessoas para a resistência. “Eu convoco para uma resistência que seja aquela que nos organiza, aquela que nos dá o caminho para a cada passo nós provarmos de maneira irredutível o fracasso que vem vindo aí.”

A professora considera a tarefa de construir a resistência difícil por conta da estrutura autoritária da sociedade brasileira. “Eu passei os últimos 30 anos da minha vida acadêmica e política tentando entender a sociedade brasileira. É uma sociedade autoritária, violenta, hierárquica, que produz o mito de um povo ordeiro, cordial, generoso, sensual e de uma história feita sem sangue. Basta não colocar Canudos, a Revolta Praieira, 1930, abolição; é por isso que os historiadores são considerados assim, porque eles contam uma outra história que não é a do mito da não-violência”, afirmou.

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