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Bolsonaro, ao indicar Moro ministro, acaba com a Lava Jato

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A pessoa que no último domingo votou em Jair Bolsonaro (PSL), com medo de Fernando Haddad (PT) acabar com a operação Lava Jato e mandar libertar o ex-presidente Lula – condenado e preso sem nenhuma prova-, deve estar se perguntando se fez a melhor escolha. Já que uma das primeiras ações do presidente eleito (indicar o juiz Sérgio Moro para superministro da Justiça) praticamente acaba com a Lava Jato.

Recapitulando, esta mesma pessoa já estava achando estranho que o PT, o partido mais corrupto do Brasil, como ela ouvia desde 2007, há mais de dois anos, não tem nenhum membro seu detido, levado para depoimento ou alvo de operação de busca e apreensão em sua residência.

Nesses últimos dois anos, só estão investigando e processando gente de outros partidos. Na quarta-feira (31), a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Tritão para combate à corrupção em licitações da Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo), estatal que administra o Porto de Santos, cumprindo mandato de busca e apreensão em empresa de São Caetano do Sul, e na qual Temer e companhia têm muito o que explicar. Entre os investigados, ninguém do PT.

Essa mesma pessoa viu o ministro do STF Gilmar Mendes arquivar, nestes últimos meses, coisas dos senadores José Serra, Aécio Neves e Aloysio Nunes e do ex-governador Geraldo Alckmin, todos do PSDB. Só não entendeu que a Lava Jato tinha como objetivo pegar petistas. Mas rastros de suas ações foram deixados e procuradores e agentes da Polícia Federal terão ainda muito trabalho pela frente.

Essa pessoa deve ter achado estranho o general Mourão ter dito que, já na primeira semana de outubro, Bolsonaro havia convidado Moro pra participar de seu governo, caso fosse eleito. E estranhou mais ainda o fato de, naqueles dias, o principal procurador da Lava Jato Carlos Fernando Lima ter deixado a operação sem explicar o porquê.

Já na quinta-feira (1), Moro aceitou a indicação para ministro de Bolsonaro. Estes caras de Brasília não são fracos não! Deram um jeito de tirar Moro da Lava Jato, para enterrar de vez qualquer investigação. Agora, o futuro ministro vai dizer que existem bons juízes que podem dar continuidade ao trabalho. Bobagem, esses não devem ter recebido treinamento nos Estados Unidos.

Assim, as peças do quebra-cabeça vão se encaixando. Moro fez o trabalho, agora todos os outros serão inocentados. Ele fica um tempo como ministro e, assim que alguém sair do STF, será indicado para o cargo vitalício, para não querer ser candidato em 2022. E Moro se achava experto. Experto mesmo é esse time de Brasília: prendeu Lula, ganhou a eleição e vai ficar solto.

E essa pessoa do começo do texto deve agora estar se sentindo um verdadeiro Bozo. Brigou com a família, com os amigos da escola, com os colegas de trabalho, com os fiéis da Igreja e, em três dias, se viu como palhaço de sempre. Essa pessoa que votou pelo Brasil, que não queria a bandeira vermelha, pode ficar tranquila, porque a sua frustração só está começando. Aguardem os próximos capítulos desta tragédia.

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