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Travesti é assassinada a facadas sob os gritos de ‘Bolsonaro vai matar viado’

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A população LGBTI+ do ABC acordou na segunda-feira (22) com a notícia de um assassinato brutal de uma travesti na cidade de Santo André. O que mais chocou ativistas do movimento é que o crime foi praticado sob gritos de “Bolsonaro, Bolsonaro vai matar viado”. O crime brutal, segundo ativistas LGBTI+ da região, foi motivado por ódio e aconteceu na avenida Industrial, local conhecido pela frequência de travestis.

De acordo com Paulo Araújo, Coordenador do Fórum Municipal LGBTI+ de São Bernardo e presidente do Centro de Cidadania Neon Cunha, no atual momento de ódio sem limites vivido no País, medo é o único sentimento que os LGBTI+ têm a liberdade de sentir. “Karolaynne residia e trabalhava na Industrial. Mais uma travesti que, como muitas outras, teve a vida interrompida por esse momento delicado que estamos vivendo no Brasil. Temos relatos de testemunhas informando que os assassinos a esfaquearam gritando bem alto “Bolsonaro, Bolsonaro vai matar viado”, ressaltou Araújo.

O ativista ainda destacou que a travesti chegou a ser levada ao Centro Municipal Hospitalar de Santo André com sangramentos na virilha, mas não resistiu aos ferimentos. Araújo também diz que existe uma omissão das gestões dos municípios na região do grande ABCD, quanto às políticas públicas destinadas à população LGBTI+ para coibir, prevenir ou proteger os que vivem nesta região. “Semana passada, tivemos em São Bernardo uma travesti identificada como Nicole que foi perseguida por quatro homens que a agrediram brutalmente com chutes e socos até ela ficar desacordada. Felizmente ela não foi mais uma a entrar para estatísticas de morte”, ponderou.

Este é o quarto assassinato a facadas em que o agressor grita o nome do candidato do PSL, conhecido pela incitação à violência. No dia 20 de outubro, a transexual Laysa Fortuna, 26 anos, não resistiu aos ferimentos de faca em Aracajú. Na madrugada do último dia 16, a travesti Priscila foi morta a facadas no Largo do Arouche, região central de São Paulo. Uma testemunha ouviu de seu apartamento diversos gritos de “prostituta, vagabunda e Bolsonaro presidente”.

Na madrugada do último dia 8, poucas horas após o fechamento das urnas do primeiro turno, o mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa, o Moa do Katendê, 63 anos, foi assassinado por Paulo Sérgio Ferreira de Santana, 36 anos, seguidor de Bolsonaro. O motivo: em conversa no bar, Moa havia declarado voto no PT.

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