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PF investiga esquema criminoso da campanha de Bolsonaro de disparo em massa de ‘fake news’

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A Polícia Federal (PF) instaurou inquérito para investigar esquema criminoso da campanha de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República, bancado por empresas com dinheiro de caixa 2, de promoção e divulgação em massa de mentiras e boatos (fake news) pelo aplicativo para celular WhatsApp contra o candidato Fernando Haddad (PT). A informação foi confirmada pelo ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, no domingo (21), durante entrevista coletiva concedida por vários representantes do Executivo e da Justiça eleitoral. O esquema teria como objetivo influenciar os eleitores para que votassem em Bolsonaro no segundo turno das eleições, que será realizado no próximo dia 28.

O conselho consultivo de internet, criado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para acompanhar e coibir as fake news nestas eleições reúne-se hoje (22) com as empresas apontadas pela denúncia como beneficiárias do esquema. Na quarta-feira (24), será a vez de o conselho conversar com representantes do próprio Whatsapp.

Na opinião de especialistas em direito eleitoral, juristas e políticos, a coletiva foi marcada mais por declarações que soaram como justificativas para o fraco trabalho feito até aqui no combate às notícias falsas nestas eleições contra o candidato do PT.

Críticas

A presidente do TSE, Rosa Weber, lembrou que as fake news têm provocado impacto em eleições de diversos países e que o tribunal estuda o fenômeno “com cuidado”. “As fake newssão um instrumento intolerável de desinformação aos cidadãos que merece resposta tanto na área administrativa como na área jurisdicional”, afirmou.

Ela também rebateu novas suspeitas levantadas ao longo da semana por apoiadores de Bolsonaro em relação à credibilidade das urnas eletrônicas. Sobre críticas de que a Justiça eleitoral tem agido com morosidade e de que o conselho consultivo criado pela Justiça eleitoral teria falhado em resolver o problema, a magistrada negou e disse que o TSE está aberto para debater possíveis formas de prevenção contra a divulgação de notícias falsas pela internet. E afirmou que aplicativos de comunicação como o WhatsApp são criações recentes e o que o TSE tem ouvido especialistas de diversos setores para avaliar o que está acontecendo e buscar, posteriormente, normatizar o seu uso.

“Fechar o Supremo”

Quando questionada sobre as declarações do ex-presidente do TSE ministro Luiz Fux, de que fake news sobre um determinado candidato em benefício de outro poderiam levar à impugnações de chapas ou mesmo à anulação das eleições, a ministra respondeu que cada magistrado tem sua forma de interpretar uma questão e que a posição dela é diferente da de seu colega. Afirmou, porém, que “somente se o inquérito aberto for concluído e se o resultado levar à abertura de um processo” é que deverá apresentar sua opinião sobre o assunto.

Indagada a respeito da afirmação de um dos filhos de Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, de que “basta um soldado e um cabo para fechar o Supremo Tribunal Federal”, Rosa Weber, bem ao seu estilo, procurou minimizar a frase. Disse que tinha sido informada que o mesmo Eduardo já tinha retirado a declaração do ar e que ela considera hoje as instituições “fortes o suficiente para não se preocuparem com este tipo de afirmação”.

* Por RBA (Rede Brasil Atual)

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