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Sob forte sol ou rigoroso frio, já são 171 dias de Vigília Lula Livre

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Desde os primeiros instantes da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sede da Polícia Federal do Paraná, em 7 de abril, apoiadores defendem e aguardam sua liberdade em frente ao prédio. São 171 dias completados nesta segunda-feira (24), seja sob forte sol ou frio rigoroso da capital paranaense, entoando gritos de bom dia, boa tarde e boa noite ao ex-presidente. “Nunca falhamos um dia, estamos resistindo”, afirma Denise Veiga, uma das organizadoras da mobilização constante.

“No dia a dia, às 9h da manhã, 13 vezes o grito de bom dia. Às 14h30, cinco vezes o boa tarde e, às 19h, mais 13 vezes o boa noite.” Denise vê o esforço dos militantes com leveza, e classifica como o maior problema de todos que ali estão ou passaram, a ausência de Lula. “Nossa maior dificuldade é o fato de Lula não poder ser candidato. Mas enfim, com Haddad, estamos levando à frente nossas ideias”, disse sobre o candidato do PT à presidência, Fernando Haddad, que foi escolhido após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impedir a candidatura de Lula.

Lula está preso após condenação em segunda instância por processo no âmbito da Operação Lava Jato, envolvendo o triplex no Guarujá. Para quem passa pelos locais de resistência, um cárcere injusto, político, com a finalidade de retirá-lo do processo eleitoral de outubro, já que provavelmente seria eleito, já que liderava com folga todas as pesquisas de intenções de voto.

Entre os que passaram por Curitiba para demonstrar o apoio à Lula, ganhador de Prêmio Nobel (Adolfo Pérez Esquivel), um dos maiores pensadores da contemporaneidade (o linguista Noam Chomsky), Chico Buarque e Martinho da Vila, que dispensam apresentações, e até mesmo importantes lideranças políticas europeias e norte-americanas.

Tudo isso ao lado dos muitos trabalhadores que, por vezes, ficam um tempo por lá. Alguns vão em caravanas, outros por conta própria. São três as estruturas de acolhimento e resistência. A Vigília Lula Livre, que fica em frente mesmo à sede da PF, o Acampamento Marisa Letícia, há poucos metros do local, abriga os que vão ficar mais tempo, e a Casa Lula Livre, espaço destinado a receber caravanas.

“Na Casa Lula Livre, que já foi uma creche, a adaptamos para abrigar até 200 pessoas de caravanas que vem de fora. Construímos camas em uma ala masculina e outra feminina. Isso fica a dois quarteirões da Vigília”, explica Denise. A militante destaca a receptividade da cidade. “Os vizinhos, Curitiba e região, têm sido muito solidários, doam alimentos, roupas, calçados e agasalhos.”

Sobre as visitas, Denise diz que fazem parte da programação diária da Vigília. “Nos intervalos entre os cumprimentos a Lula, fazemos rodas de conversas sobre temas como Previdência e cultura. Temos músicos que nos visitam e se apresentam, advogados que falam conosco. Palhaços, enfim, muitas apresentações artísticas”. Ela ressalta a relevância de certas visitas. “Temos muita gente importante que passa aqui, como foi o caso do Chomsky ontem.”

Também faz parte da estrutura de resistência o Centro de Formação e Cultura Marielle Vive, que homenageia a vereadora Marielle Franco, do Psol, assassinada no Rio de Janeiro. “Este é um espaço de formação política e cultural coordenado pelo pessoal do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).” Neste mês, nos dias 5 e 6, o espaço recebeu a visita do cineasta Sílvio Tendler, que lançou seu mais novo longa-metragem, “Dedo na Ferida”, que apresenta a ação nefasta do mercado financeiro na vida dos trabalhadores.

* Por RBA – Rede Brasil Atual

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