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11 ministros do STF pioram a qualidade de vida de milhões de trabalhadores

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Na última quinta-feira (30/8), o STF (Supremo Tribunal Federal) aprovou por 7 votos a 4 a terceirização irrestrita dos diferentes tipos de atividades das empresas, contrariando o entendimento do Tribunal Superior do Trabalho (TST) segundo o qual isso não se aplicaria às atividades finais de uma empresa, somente às atividades meio.

Simplificando, seria mais ou menos assim: uma montadora de automóveis poderia terceirizar a usinagem de peças para o motor, mas ela deveria montar esse motor, pois isto é a finalidade da empresa.

Empresários rurais questionaram esta decisão e o STF votou na quinta-feira exatamente o que eles queriam. O problema que já é cruel para os trabalhadores rurais só piorou ainda mais com essa decisão. Ou seja, oficializou-se o gato. Agora, os empresários ficam livres para contratar qualquer empresa para fazer qualquer trabalho em suas atividades fins. Por exemplo: o Pão de Açúcar pode funcionar sem ter nenhum funcionário dele, a Ford não precisará ter nenhum metalúrgico contratado diretamente por ela, em seu lugar, colocará empresas terceirizadas para realizar o serviço.

Empregados terceirizados, em geral, ganham cerca de 30% a menos que os contratados diretamente pela empresa e têm em media 5 vezes mais acidentes de trabalho, que os contratados diretamente. Assim, além de achatar ainda mais os salários no Brasil, reduzindo as contribuições à Previdência, os acidentes vão levar mais profissionais a se afastarem do trabalho, forçando o caixa da Previdência, dando argumentos para que futuros governos queiram mexer na aposentadoria do trabalhador.

A decisão do STF aprofunda ainda mais a miséria dos mais pobres. Vão retirar mais de quem já tem pouco e vai aumentar ainda mais a riqueza dos mais ricos. E há gente que ainda acredita em meritocracia, ou seja, que alguém se dá bem na vida porque tem méritos. Com decisões como esta não existe mérito que possa avançar.

Cada vez fica mais evidente que os trabalhadores vão precisar se reinventar na forma de se organizar para lutar por dignidade, direitos e vida melhor. O que hoje chamamos de sindicato vai precisar se reciclar e reorganizar para dar conta destes desafios futuros. O importante é o trabalhador saber que sozinho não vai conseguir nada daqui para a frente. Os trabalhadores se juntam ou que Deus tenha pena do povo brasileiro.

 

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