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Golpe, Lava Jato e crise: 600 mil trabalhadores da construção civil perdem emprego

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Estudo divulgado pelo Dieese mostra que o setor da construção civil perdeu 600 mil postos de trabalho, entre 2014 e 2017, em função da crise econômica, da redução de investimentos públicos pelo governo ilegítimo de Michel Temer e também pela forma desastrosa de combate à corrupção realizada pela Operação Lava Jato, que, em vez de punir os administradores envolvidos em desvio, destrói as grandes construtoras, acabando com milhares de empregos diretos e indiretos.

Só no ano passado, o setor fechou 17 mil vagas apenas na região metropolitana de São Paulo, segundo dados do boletim Trabalho e Construção, divulgado na quinta-feira (9). O diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, afirma que, além do fechamento de vagas, o setor registra ainda o aumento da informalidade, com aumento do número de operários que trabalham por conta própria ou são assalariados, mas sem registro em carteira.

Em decorrência da queda do nível do emprego e do avanço da informalidade, os salários do setor da construção civil caíram de R$ 13,20 por hora, em 2014, para R$ 10,61 no ano passado. Também em 2017, pelo menos 47% dos trabalhadores que atuaram por conta própria, deveriam contribuir diretamente com a Previdência para terem resguardados os direitos de aposentadoria e licença em caso de acidente, por exemplo.

Sobre o método de atuação da Lava Jato, Clemente diz que é como se o médico acabasse matando o paciente para pôr fim a determinada doença. “É mais um resultado dos efeitos que a grave crise econômica trouxe para o mercado de trabalho brasileiro, nesse caso, para a construção civil. Um setor que, além da crise, sofre as consequências de uma estratégia de combate à corrupção que, em vez de punir os responsáveis, pune as empresas e os seus trabalhadores, juntamente com a capacidade produtiva do país”, diz o diretor-técnico do Dieese.

A saída para a crescimento dos empregos no setor, segundo ele, passa pela retomada dos investimentos públicos em infraestrutura econômica e social, com obras para a construção de portos, aeroportos, redes de distribuição de energia e também em coleta e tratamento de esgoto. Investimentos a cargo do governo federal e dos estados, mas também pequenas obras que podem ser encomendadas pelas prefeituras.

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