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Países ricos têm medo de imigrantes?

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A cada dia, vemos mais e mais reações de países ricos contra imigrantes. Isto é o que os grandes meios de comunicações nos passam. Mostram barcos de imigrantes da África tentando chegar à Europa, mexicanos e outros latinos tentando entrar nos Estados Unidos, venezuelanos e haitianos entrando no Brasil. Mas será isto mesmo?

Quando vemos o número de imigrantes nas seleções de futebol da Europa – França, Bélgica e Inglaterra -, por exemplo, daria para montar uma seleção de países africanos apenas com estes jogadores. Aí vemos, desde presidentes, o da França esteve nos jogos finais de seu país, até a população nas praças pulando de alegria e aplaudindo quando estes jogadores imigrantes marcaram gols e deram a vitória para estes países.  Nessa hora, ninguém fala de extradição, deportação e nenhum legislador diz que eles não poderiam estar nestes países.

Na verdade, o que estes governos e povos têm mesmo é medo não de imigrante, mas sim dos pobres. Se você possuir 500 mil dólares para investir nos Estados Unidos e montar uma empresa que crie seis empregos em dois anos, você ganha até Green Card. Em Portugal, estamos vendo uma invasão de brasileiros. Muita gente está se mudando para lá. Tendo dinheiro, você conseguirá até cidadania portuguesa.

Os pobres da América Latina e da África é que não podem ir para nenhum lugar. As grandes potências criam guerras de acordo com seus interesses, como as da Líbia, Iraque e Síria. E a população, para não morrer pelas bombas russas ou norte-americanas, foge. E foge para onde acha que pode ter uma vida melhor.

Os destinos preferidos são, por exemplo, Bélgica e França porque esses imigrantes falam a mesma língua destes países. A Bélgica explorou e fez do Congo, por dezenas de anos, sua colônia e a França, até poucos dias ainda possuía colônia na África.

O fato concreto é que a sociedade capitalista, deste momento, não consegue dar condições para todos viverem adequadamente. E isso tende a piorar: com a “financeirização” do capital, vai haver cada vez mais trabalhadores excluídos do processo de produção, ou seja, gente desempregada. E, com isso, aumentará o número de empobrecidos. Vejam o que está acontecendo aqui no Brasil depois do golpe de 2016.

Somente a luta política vai poder mudar a situação. Ela tem de se dar nos movimentos sociais, nos movimentos sindicais e a partir dos partidos políticos. Sem esta luta, não vamos a lugar nenhum.

Tarcisio Secoli é economista e ex-secretário de Coordenação Governamental e de Serviços Urbanos da Prefeitura de São Bernardo do Campo

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