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O futuro-passado da Segunda Guerra Mundial nas memórias de Winston Churchill

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Em meados da Segunda Guerra Mundial, a Rússia se expandia para várias direções do globo. Os denominados estados-satélites eram ocupados por tropas sovietes. Entre estes, podemos destacar os Balcãs, a Bulgária, a Romênia e a Iugoslávia. Obtinham também o controle sob a Polônia, estendendo suas fronteiras até a Alemanha. O ex-premiê inglês Winston Churchill (1874-1965) apresentava a situação geopolítica da Europa da seguinte maneira: “Uma sombra caiu sobre os palcos recentemente iluminados pela vitória aliada. Ninguém sabe o que a Rússia soviética e sua organização comunista internacional pretendem fazer no futuro imediato” (CHURCHILL: 2012, p. 731). Todas as capitais da Europa Central e Oriental estavam em poder dos partidos comunistas, insuficientes, numericamente, para controlar esses Estados, exerciam o poder com meios totalitários. “De Stettin, no Báltico, a Trieste, no Adriático, uma cortina de ferro desceu sobre o continente” (Ibidem, p. 732).

Uma aliança entre França e Alemanha foi defendida por Churchill, que considerava essencial para a harmonia e a paz da Europa. Assim, “aos poucos, porém, o fluxo da fraternidade europeia foi restabelecido nas veias francesas, e o natural e flexível bom senso gaulês superou a amargura do passado” (Ibidem, pp. 736-7). Outros pontos relevantes: a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) que deveria ser dotada de força militar; e o Tratado do Atlântico Norte (Otan), acordo que comprometia ajuda mútua, em caso de ataque inimigo, entre Estados Unidos da América do Norte, Inglaterra e seus aliados, representada pelo general Eisenhower. Esse acordo “Deu à Europa uma confiança renovada, particularmente aos territórios próximos da Rússia soviética e dos países-satélites” (Ibidem, p. 740). Importante: o plano para conter o avanço comunista passava pela ajuda da Alemanha, que teve a sua capital (Berlin) dividida pelos russos. Segundo o ex-premiê: “nunca vi desvantagem em fazer amizade com o inimigo depois de terminada a guerra, com tudo o que isso implica de cooperação contra uma ameaça de fora” (Ibidem, 741).

O plano de ajuda econômica aos aliados, do general Marshall, incluía 16 países da denominada Europa “livre” do comunismo soviético. Essa “decisão do general Marshall situou-se no mais alto nível da ação de estado…” (Ibidem, p. 742). Na visão de Churchill, essas aproximações culturais, sociais e econômicas não foram impostas ao povo europeu e norte-americano. Pois, essas questões, “Devem brotar gradualmente de convicções autênticas e muito difundidas…” (Ibidem, p. 743).

O problema: a bomba atômica e, sucessivamente, o desenvolvimento e aperfeiçoamento da destruição de vidas humanas com a bomba de hidrogênio. A política, os acordos de paz, todos os planos ruíram com as bombas de hidrogênio “fundamentado na posse dos meios de extermínio mútuo” (Ibidem, p. 744). A Inglaterra, em 1952, conseguiu também sua própria bomba de hidrogênio. Por fim, “Era nisso, portanto – na posse ou na preponderância americana em matéria de armas nucleares – que se apoiava o esteio mais seguro de nossas esperanças de paz” (Ibidem, p. 745). O que a Segunda Guerra gerou para a posteridade foram os segredos militares jamais vistos na história humana: os de desenvolver armas para a destruição total de uma nação. Argumentou Churchill: “Agora, os meios de destruição de muitos milhões de pessoas podem ser escondidos no espaço de alguns metros cúbicos” (Ibidem, p. 746).

* Por Anderson Lino, Doutor em Ciências Sociais Aplicadas pela PUC-SP

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