Início Categorias Cidades Luiz Marinho no Roda Viva: ‘Golpistas se transformaram em nosso grande cabo eleitoral’

Luiz Marinho no Roda Viva: ‘Golpistas se transformaram em nosso grande cabo eleitoral’

0
0
4,167

Pré-candidato do PT ao governo do estado de São Paulo, o ex-prefeito e ex-ministro Luiz Marinho afirmou, no programa Roda Viva, da TV Cultura, que “os golpistas do impeachment se transformaram em nosso grande cabo eleitoral”, na medida em que a situação do país piorou depois da saída de Dilma Rousseff, em 2016, enquanto diziam que era só tirar a presidenta que “tudo se resolveria num passe de mágica”.

Luiz Marinho reafirmou a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República: “Vamos registrá-lo em 15 de agosto”. Disse ainda que a disputa em São Paulo “está totalmente aberta” e que estará no segundo turno das eleições deste ano.

O programa de entrevistas foi ao ar, excepcionalmente, na noite de quarta-feira (4). Normalmente, é exibido às segundas. Segundo a emissora, a mudança é para que haja tempo de ouvir todos os candidatos devido ao calendário eleitoral.

Logo no início do Roda Viva, Luiz Marinho pediu licença ao âncora Ricardo Lessa para fazer um “desagravo” à pré-candidata do PCdoB à Presidência, Manuela D´Ávila, interrompida dezenas de vezesdurante a sua sabatina no programa. Segundo ele, o episódio revelou “machismo, preconceito e misoginia” por parte de alguns dos entrevistadores.

O petista quase não foi interrompido. Fizeram parte da bancada de entrevistadores, além de Lessa, os jornalistas Pedro Venceslau (O Estado de S. Paulo), Sérgio Roxo (O Globo), Evaldo Novelini (Diário do Grande ABC) e Luciana Araujo (veículo não apresentado – é coordenadora de Comunicação do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo, o Sintrajud), além do cientista político Rubens Figueiredo, que em sua página na internet se apresenta como diretor do Cepac, empresa de pesquisa e comunicação, e coordenador de conteúdo da Fundação Espaço Democrático, ligada ao PSD.

Consórcio PSDB-MDB

As perguntas se concentraram na administração de Luiz Marinho como prefeito de São Bernardo do Campo, no ABC paulista – durante duas gestões –, e seus planos para o governo estadual, além da política de alianças para as eleições deste ano. Ele repetiu suas críticas ao governo tucano que comanda São Paulo há mais de duas décadas. “Em 24 anos, eu brinco que é possível fazer chover”, ironizou, para acrescentar que, mesmo à frente do estado durante todo esse tempo, o PSDB deixou “gargalos” em todos os setores. Durante o programa, o petista se referiu várias vezes ao “consórcio PSDB-MDB [antigo PMDB]” como responsável pelo golpe de 2016.

Segundo o ex-prefeito e ex-ministro, a prioridade de seu governo, caso vença as eleições de outubro deste ano, será a educação, “casado com esporte, cultura e tecnologia”. Luiz Marinho assumiu o compromisso de, em quatro anos, dobrar o salário inicial dos professores e não poupou críticas à política do governo tucano no estado. O petista não se mostrou preocupado com os 3% de intenção de votos, lembrando que também tinha esse percentual quando se lançou candidato a prefeito de São Bernardo do Campo – e ficou perto de ganhar no primeiro turno, vencendo o segundo colocado com 59% dos votos. “Eu tenho confiança de que podemos disputar para valer. Pesquisa é que nem fotografia, é o retrato do momento.”

Questionado sobre contas atrasadas deixadas por sua gestão na Prefeitura de São Bernardo, afirmou que o atual prefeito, o também tucano Orlando Morando, “mente demais, parece uma prática do PSDB” e concluiu dizendo que deixou uma cidade “com planejamento”.

Luiz Marinho afirmou que o Tribunal de Contas aprovou suas contas em 2015, ao comentar que, “estranhamente”, a Câmara Municipal as rejeitou, “no calar da noite”. O ex-prefeito lembrou ainda que melhorou os indicadores sociais da cidade e investiu em habitação acima da média nacional. “Seguramente, se fizermos de forma transparente e participativa, é possível fazer muito mais”, comentou, sobre uma gestão sua no estado.

Outra questão recorrente foi sobre possíveis dificuldades do PT em São Paulo e a influência de Lula. “A Lei da Ficha Limpa não proíbe a candidatura do presidente Lula. Nós, em 15 de agosto, registraremos a sua candidatura a presidente da República. Aqui em São Paulo temos uma disputa que está totalmente aberta”, afirmou.

Para Luiz Marinho, o partido está em recuperação, depois de momentos difíceis, principalmente, no período do impeachment, após uma “eleição dura em 2014” e de ficar “no fundo do poço em 2016”, sofrendo o que chamou mais de uma vez de “massacre midiático”.

Luiz Marinho sustentou que é possível fazer mais, inclusive aumentar o orçamento, com planejamento, investindo em inteligência e reforçando a fiscalização para combater a “corrupção sistêmica” e a sonegação no estado. Questionado, o ex-ministro do setor disse que a Previdência sempre precisará de ajustes, “mas o que o Temer quis fazer não foi ajuste, foi desmonte, para vender mais previdência privada”.

Em outra pergunta, Luiz Marinho foi apontado como contrário à “modernização” representada pela nova lei trabalhista. “Eu sou a favor da modernização. Sou contra o desmonte das relações de trabalho.” O ex-presidente da CUT e do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC lembrou que a “reforma” não criou empregos, algo que depende da dinâmica econômica. “Você gera emprego quando cria demanda.”

“Mas a presidenta Dilma não errou?”, quis saber um entrevistador. “A própria Dilma disse, numa entrevista, que a desoneração foi um excesso”, respondeu Luiz Marinho para ressaltar, em seguida, que nenhum eventual erro do governo justificaria o processo de impeachment. “Na verdade, rasgaram a Constituição”, afirmou.

O pré-candidato petista defendeu também valorização da polícia e o aumento do efetivo – segundo ele, parte que atualmente se encontra na “burocracia” será deslocada para atividades de rua. Ao mesmo tempo, pregou “outra orientação” na abordagem policial à população, principalmente, na periferia e investimento “pesado” em educação para combater a violência.

Outra pergunta foi sobre a alianças. Um repórter afirmou que havia conversas “avançadas” entre PCdoB e PDT em São Paulo e perguntou também sobre o PSB. “Tem muitas coisas que se anunciam na imprensa que não são bem assim. Eu costumo dizer o seguinte, tem muita água para passar debaixo dessa ponte. Vamos aguardar as convenções? Teremos surpresa em relação às alianças partidárias”, disse Luiz Marinho.

Questionado se poderia abrir mão de sua candidatura em favor do atual governador, Márcio Franca, em nome de uma aliança nacional com o PSB, respondeu: “São Paulo não está nessa rodada de debate”.

Alianças

Luiz Marinho ressaltou que há “chance zero” no estado de alianças com “partido golpista”. Sobre conversas com o MDB em outros estados, afirmou que o partido é uma “federação” e que alguns de seus representantes foram contra o impeachment, caso do senador paranaense Roberto Requião. A respeito de uma possível aliança entre Ciro Gomes e o DEM, disse que não responde pelo candidato do PDT e que “de forma alguma” haverá acordo DEM/PT. E, mais uma vez, reiterou que não há plano B ou C. “Nem Haddad, nem Jaques Wagner. Ele (Lula) é o nosso candidato. Nós vamos inscrever o Lula.”

Sobre eventual perda de eleitorado petista no período recente, Luiz Marinho respondeu que boa parte já voltou a apoiar a legenda, que teve crescimento em pesquisas de preferência partidária. “A vida não é tão simples.” Ele falou ainda sobre obras em sua gestão, citando especificamente o Museu do Trabalhador, cuja construção foi interrompida após investigações. “Eu desafio qualquer um a provar qualquer desvio nessa obra. Se tem uma coisa que eu me arrependo nestes oito anos de governo, foi não ter acabado essa obra.”

No pingue-pongue final do programa, Luiz Marinho citou Lula como ídolo e destacou a música Meu Reino Encantado, com o cantor Daniel, e o livro Invictus – conquistando o inimigo, sobre Nelson Mandela. Sua frase escolhida foi “Só quem dialoga constrói pontes e vínculos”.

Por RBA – Rede Brasil Atual

Carregar artigos semelhantes
Carregar mais em Cidades

Deixe uma resposta

Veja também

Deputados vão denunciar Bolsonaro por crime de incitação à violência

Os deputados da bancada do Partido dos Trabalhadores na Assembleia Legislativa de São Paul…