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Parque da Juventude em São Paulo passa a se chamar Dom Paulo Evaristo Arns

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O complexo cultural, recreativo e esportivo, conhecido como Parque da Juventude, na zona norte de São Paulo, agora passa a se chamar “Parque da Juventude Dom Paulo Evaristo Arns”. A homenagem ao arcebispo de São Paulo foi feita pelo deputado estadual Luiz Fernando (PT) por meio de projeto de lei, aprovado pela Assembleia Legislativa de São Paulo e sancionado pelo governador Márcio França na última sexta-feira (8) – Lei 16.761/2018.

“Trata-se de um homem muito à frente de sua época, que revolucionou a igreja com suas ações, priorizando a periferia pobre e lutando pelos direitos humanos. Com muita coragem, denunciou as arbitrariedades, torturas, mortes e desaparecimentos daqueles que se posicionavam contra o regime militar. Portanto, é uma homenagem emblemática colocar o nome do cardeal Arns em um local que foi palco de uma afronta aos direitos humanos, o famigerado ‘massacre do Carandiru’”, diz Luiz Fernando.

O Parque da Juventude substituiu o Complexo Penitenciário Carandiru por uma área de lazer e entretenimento ao ar livre. O presídio, inaugurado em 1956, durante 46 anos foi o maior da América Latina e chegou a alojar mais de oito mil presos. O equipamento também foi cenário do famoso massacre de 111 presos durante uma rebelião em 1992, fato marcante que levou à desativação do presídio, parcialmente demolido em 2002.

Em 2007 foi concluído o projeto arquitetônico do parque, que contemplou as três grandes áreas hoje existentes: esportiva, central e institucional. O equipamento possui ampla área verde, instalações para prática de esporte, lazer e entretenimento para todas as idades, espaço canino e local para a realização de shows e eventos.

Além disso, foram mantidos grandes referenciais históricos da época em que o espaço abrigou o Complexo Carandiru, como muralhas e ruínas de celas do presídio; e a oficina de trabalhos manuais transformada no ginásio do parque e que abriga hoje uma academia. Os pavilhões 4 e 7 foram transformados em duas grandes Escolas Técnicas (ETECs).

Biografia – Dom Paulo Evaristo Arns nasceu em Forquilhinha (SC) e foi nomeado arcebispo de São Paulo em outubro de 1970, aos 49 anos. Sua história é marcada pela luta contra a ditadura militar, nas décadas de 1960 e 1970, e pela defesa dos direitos humanos. Com formação em filosofia e teologia, escreveu 56 livros, entre os quais “Brasil: Nunca Mais”, um projeto conduzido de forma clandestina entre os anos de 1979 e 1985, desenvolvido pelo Conselho Mundial de Igrejas e pela Arquidiocese de São Paulo, que retrata as torturas e outras graves violações aos direitos humanos durante a ditadura militar brasileira.

Entre outros episódios de sua trajetória, destacam-se sua atuação contra a invasão da Pontifícia Universidade Católica (PUC), comandada pelo então secretário de Segurança Pública de São Paulo, coronel Erasmo Dias, em 1977, e o planejamento da operação para entregar ao presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, uma lista com os nomes de desaparecidos políticos.

Em março de 1973, presidiu a Celebração da Esperança, em memória do estudante Alexandre Vannucchi Leme, morto pela ditadura. No ano seguinte, acompanhado de familiares de presos políticos, apresentou ao general Golbery do Couto e Silva um dossiê relatando os casos de 22 desaparecidos.

Em outubro de 1975, celebrou na Catedral da Sé o histórico culto ecumênico em homenagem ao jornalista Vladimir Herzog, morto pelo regime militar. Anos depois, defendeu o voto popular na campanha “Diretas, Já”.

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