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Alto preço do gás de cozinha faz famílias carentes deixarem de cozinhar em São Bernardo

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A crescente alta do preço do botijão de gás tem levado, cada vez mais, brasileiros a procurarem outras alternativas para cozinhar seus alimentos. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 1,2 milhão domicílios no país passaram a utilizar lenha e carvão para preparar suas refeições.

Na casa da Dona Rosa Maria de Souza, educadora social afastada por invalidez, há cinco dias não há gás de cozinha por conta do alto valor praticado pelo mercado. Ela mora no Montanhão, em São Bernardo do Campo, e na região o botijão custa, em média, R$ 80. Sem alternativas, conta que não tem previsão de quando vai conseguir comprar o gás para cozinhar.

“Está bastante difícil porque eu não tenho outra alternativa. Minha família tem renda mensal de R$ 900. Essa quantia não está sendo suficiente para manter três pessoas. Estou contando com a ajuda de vizinhos para fazer a mamadeira do meu neto. Estou sem esperança”, disse Dona Francisca.

No ano passado, o preço do gás de cozinha teve aumento de 16%, mais do que cinco vezes o índice da inflação. Foi o maior percentual desde 2002. Desempregada, Fabiola Batista, moradora do bairro dos Cafezais, também em São Bernardo do Campo, chegou a ficar mais de um mês sem gás. Ela conta que teve de comer pão e bolacha para tapear a fome. “Eu fiquei 40 dias sem gás cozinhando na casa de amigos. Estávamos comendo pão e bolacha para disfarçar a fome. Às vezes, minha tia dava comida para a gente. Há 15 dias eu consegui comprar o gás. Paguei R$ 80 porque consegui emprestar o botijão. Se tivesse que comprar tudo, daria R$ 170. Não tem como viver assim”, disse

Pelo Brasil – o levantamento do IBGE revela que a maior disseminação do uso de lenha ou carvão se deu na região Nordeste, onde 411 mil casas substituíram o gás por estes produtos. Em seguida vêm o Sudeste, com 244 mil casos, e a região Norte, com 239 mil domicílios. Entre as capitais, a maior alta se deu em Curitiba, onde o número de casas que utilizam lenha ou carvão quase triplicou, saltando de 18 mil para 51 mil.
José Maria Rangel, da coordenação da Federação Única dos Petroleiros (FUP), explica que a alta do preço do combustível foi provocada principalmente pela nova metodologia de reajuste de preço da Petrobras, praticada pelo governo ilegítimo de Michel Temer.

“A partir do momento que o governo reduziu carga nas nossas refinarias, prejudicou tudo. Elas têm capacidade de processamento de 2,3 mil barris por dia e Temer fez com que a refinaria só processe 1,7 mil. Então, tudo o que o Brasil precisa tem que vir de fora. São quase 700 mil barris que estão vindo do mercado internacional. Se nos processássemos, a nossa carga aqui seria residual”, comentou.

Rangel lembra que, durante o governo Lula, o gás de cozinha era tratado como um produto da cesta básica. “É importante ressaltar que Lula tem a exata dimensão do que representa o gás de cozinha. E ele trata o gás como se fosse um produto da cesta básica. Por isso, tomou a decisão de comprar a Liquigás da Petrobras com a intenção de regular os preços praticados no mercado. Toda essa política, que foi construída no governo Lula, acabou sendo desmontada pelo governo golpista.”

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