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O de Asno

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Hoje começo a minha participação no ABCD Maior. Vou falar sobre vários assuntos da atualidade, mas para começar vou contar para vocês sobre um episódio da minha vida. Quando era ainda pré-adolescente, me apaixonei por uma colega de classe. Ruiva, lindíssima!

Acontece que eu era praticamente mudo. De tão tímido, tremia só de olhar pra ela. Nessa época, rolava uma espécie de simpatia, que a escola inteira fazia. Era mais ou menos assim: alguém amarrava uma linha em seu braço esquerdo e pedia para que, nesse momento, você pensasse em uma pessoa que gostaria de namorar (note que já se passaram vários anos, porque hoje o negócio e o tal do ficar).

Depois, você tinha que amarrar uma linha em mais cinco pessoas, falando a mesma coisa. Daí, era só pedir para a pessoa que você gostava quebrar a linha e pronto. Ela ia te namorar.

Meus problemas começaram já na primeira parte: arrumar cinco pessoas para amarrar a linha no braço esquerdo. A escola inteira estava fazendo a mesma simpatia e o “botocudo” aqui tinha pouquíssimos amigos. É aí que entra em cena um grande amigo, muito mais popular do que eu, e logo consegui cumprir a missão.

Ufa, que alívio né?

Nada disso, apenas começava a minha tortura, pedir para a tal menina quebrar a linha.

Eis que decido recorrer, novamente, ao meu amigo salvador.

Contei meu drama a ele.

Foi meu fim, ele chamou a tal menina e disse na lata.

– Ele quer que você quebre a linha do braço dele!

Tive a sensação que se passaram várias horas, até finalmente ouvi-la dizer:

– Por que tenho de quebrar a linha?

Aí zuou de vez. Usei as últimas forças que consegui reunir e, quando fui explicar, de novo o amigo da onça se antecipa e diz:

– Ele estava pensando em você quando amarrei a linha no braço dele.

Eu, em estado de choque, ouço ela dizer:

– A tá, então quebra a minha também.

Não acreditei no que ouvi, mas, enfim, quebrei a linha e esse foi o melhor dia da minha vida.

No dia seguinte havia uma prova de português, do tipo preencha a lacuna. Como não estudei nada, obviamente, não sabia nada.

A tal mocinha, percebendo a minha dificuldade em resolver a questão número 4 (No plural, acrescenta-se um ___ às palavras), tenta me ajudar.

Ela escreve um S na mesa e começa a circulá-lo com o lápis. Eu, então, todo pimpão, preencho a lacuna com um O.

Moral da história: depois desse dia, até de lugar na sala a mocinha ruiva mudou e eu nunca mais deixei de estudar para uma prova!

 

* Por Nelson Donizete de Oliveira

 

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