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Operação Prato Feito da PF coloca governo Orlando Morando no olho do furacão da Máfia da Merenda

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Mais uma vez e em um curto espaço de tempo, a Prefeitura de São Bernardo do Campo, administrada pelo prefeito Orlando Morando (PSDB), é alvo denúncias de corrupção. Com o nome de Prato Feito, a Polícia Federal deflagrou na manhã de ontem (9) operação para combater esquema da Máfia da Merenda e desvio de recursos, o que coloca o governo do tucano no olho do furacão das investigações. Além de São Bernardo, foram alvos da operação da PF mais 29 cidades, incluindo Santo André e Mauá.

O documento enviado à Justiça e fundamental para os oito pedidos de busca e apreensão na Prefeitura de São Bernardo deixa claro o cuidado que a Polícia Federal teve ao apontar a possibilidade de que a campanha de Orlando Morando possa ter sido beneficiada por dinheiro proveniente de propina.

A delegada Melissa Maximino Pastor faz uma citação branda ao prefeito: “Apesar dos indícios de que a vantagem ilícita foi ofertada em benefício do atual Prefeito ORLANDO MORANDO, não temos elementos de seu recebimento (…)”.

A PF suspeita que o tucano tenha sido beneficiado porque as empresas envolvidas no esquema em São Bernardo também atuaram em outros municípios e tinham como “modus operandi” apostar em candidatos ao Executivo durante as eleições, ou seja, faziam doações eleitorais e, depois, fraudavam os contratos da merenda para compensar os gastos com os políticos.

No entanto, o relatório da Polícia Federal implica um homem forte do governo Orlando Morando: Carlos Roberto Maciel. Até ontem (9) pela manhã, ele era secretário de Coordenadoria de Assuntos Governamentais, mas com a ação da PF pediu exoneração do cargo.

Na época em que contratos teriam sido fraudados, Roberto Maciel era secretário de Assuntos Jurídicos da Prefeitura. Ele também é sogro de Fábio Favaretto, um dos empresários envolvidos no esquema.

Segundo a PF, “há diversos áudios” cujos “diálogos demonstram de forma clara que FÁBIO FAVARETTO estabeleceu uma ‘parceria’ com o candidato [Orlando Morando] que se tornou Prefeito com vistas a manter contratos com esta Prefeitura”.

“Em 2017, o contrato n.º 40/2015 mantido com a LE GARÇON é prorrogado no valor aproximado de R$ 6 milhões. Tendo em vista o modus operandi das associações criminosas bem como pelo fato de que o sogro e parceiro de FÁBIO nas práticas criminosas – CARLOS ROBERTO MACIEL – ocupar o cargo de Secretário Municipal de Coordenadoria de Assuntos Governamentais do governo de ORLANDO MORANDO, é possível que tal contrato esteja sendo fraudado na sua execução para compensar os custos com as propinas concedidas durante a campanha eleitoral. Os desvios de recursos desse contrato beneficiaram ao empresário FÁBIO e a CARLOS ROBERTO MACIEL, que na época ocupava cargo público nesta Prefeitura, razão pela qual vislumbramos indícios de corrupção ativa”, apontam os investigadores.

Ainda segundo a PF, “os elementos probatórios envolvendo os agentes públicos da Prefeitura de São Bernardo do Campo são incipientes e necessitam de aprofundamento. Entretanto, verifica-se que já se encontram delineadas algumas fases descritas do modus operandi das associações criminosas em comento visto que já temos indícios de corrupção ativa e fraude a licitações e à execução dos contratos”.

Em nota, a Prefeitura de São Bernardo do Campo disse que desde o início da atual gestão não firmou contrato com empresas envolvidas na operação deflagrada pela Polícia Federal. Salienta, ainda, que o secretário citado nos autos da investigação pediu exoneração e o pedido foi aceito pelo prefeito.

Em 31 de outubro do ano passado, o então secretário de Gestão Ambiental, Mario Henrique de Abreu, o diretor de Licenciamento, Sergio de Sousa Lima, e o chefe de Seção, Tiago Alves Martinez, foram alvos de operação pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva e concussão.

A seguir, um dos trechos de conversas que consta no documento enviado à Justiça envolvendo São Bernardo.

FATO 2: baseado em áudios, pesquisas e vigilância. Há diversos áudios cujas reproduções das transcrições encontram-se no Relatório da Prefeitura de São Bernardo anexo, ao que citaremos apenas dois em parte, cujos diálogos demonstram de forma clara que FÁBIO FAVARETTO estabeleceu uma “parceria” com o candidato que se tornou Prefeito com vistas a manter contratos com esta Prefeitura.

Vejamos uma conversa entre FÁBIO (“F”) e um homem de prenome JULIANO (“J”) realizada no dia 01.10.16 em que FÁBIO lamenta a possibilidade de haver segundo turno visto que teria que despender mais recursos com os candidatos.

A ligação abaixo, travada em 03.10.16, logo após o resultado do 1º turno, entre FÁBIO (“F”) e um homem de prenome DÊNIS (“D”) confirma que FÁBIO está concedendo vantagens indevidas a candidatos com vistas a fechar contrato, ao que já teriam ocorridos “acertos” neste sentido.

Vejamos:

F: Então cara, agora é 100% cara, e outra o que eu vou fazer lá cara. E já tá tudo combinadinho o que vai acontecer, igual São Bernardo;

(…)

F: Agora São Bernardo você também não acreditava em mim né cara;

D: Não, São Bernardo acreditava;

F: Sábado, sábado fui lá…sentou eu, ele e mais uns quatro cinco cara, e a gente tava torcendo pra vira com cinco por cento na frente;

D: Puta que pariu, era quase o dobro caralho;

F: O dobro não, deu quase 20;

D: Do que tava na pesquisa, tava 20;

F: Deu quase o dobro do cara;

D: Deu 45%, lembra, contra 28;

F: É 45.45;

D: Não, é muita coisa;

F: Eu acho que é difícil reverter, mas dá pra reverter;

D: Dá, mas eu acho difícil, acho difícil;

F: Também acho que é difícil cara;

D: Acho difícil;

F: E o legal é que tá todo mundo unido.

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