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Prefeitura de São Caetano exonera 70 concursados e contrata terceirizada no lugar

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A Prefeitura de São Caetano do Sul exonerou cerca de 70 servidores concursados do Saesa (Sistema de Água, Esgoto e Saneamento Ambiental) por conta de supostas irregularidades apontadas no concurso 01/2015. Os profissionais estavam trabalhando há quase dois anos na autarquia e foram desligados pela gestão do prefeito José Auricchio Júnior (PSDB) sem aviso prévio. No lugar dos concursados, a Prefeitura contratou uma empresa terceirizada para atuar no departamento.

Realizado em 2015, o concurso público para o preenchimento de 155 vagas foi questionado pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo no ano seguinte. O TCE apontou uma série de supostas irregularidades e pediu explicações ao DAE e à Universidade Municipal de São Caetano do Sul, responsável pela elaboração e aplicação das provas.

No despacho, por exemplo, o TCE informa haver indícios de pontuação adulterada, ausência de folhas de respostas de inúmeros candidatos, além de possíveis fraudes na avaliação prática. O julgamento definitivo da matéria pelo tribunal ainda não foi concluído, mas, mesmo assim, a Prefeitura de São Caetano decidiu por exonerar os concursados no fim da semana passada.

Um servidor, que preferiu não se identificar, conta que na última sexta-feira (14) os trabalhadores foram chamados ao auditório do departamento, no fim do expediente, e avisados de que estavam sendo desligados da administração pública. “O Departamento Pessoal da Prefeitura apenas nos disse que eles acharam por bem cancelar o concurso. Jogaram a responsabilidade na conta da gestão passada mesmo sem nenhuma conclusão das investigações feitas pelo Tribunal de Contas. Não foi um pedido do TCE, foi uma decisão da Prefeitura”, disse.

Outro servidor desligado, que também não quis se identificar, ressalta que faltou boa vontade da Prefeitura em aguardar o fim das investigações. “Ficou claro que foi uma opção da administração. Eles não eram obrigados a nos demitirem. Até porque a apuração dos fatos ainda não foi concluída”, disse. “A gente sabe o quanto é difícil passar em um concurso público. No cargo em que eu concorri, havia apenas uma vaga e eu passei em primeiro lugar com muito estudo, com muito esforço.”

O advogado Eder Xavier, ex-vereador da cidade pelo PROS, avalia que a Prefeitura de São Caetano do Sul se precipitou ao exonerar os concursados. “Não precisa ser advogado para ver a falta de bom senso com trabalhadores que dependem do seu serviço para sustentar as suas famílias. Denúncias de fraudes são comuns em concurso público. O correto seria esperar o trânsito julgado em definitivo do processo para depois optar pela exoneração ou não. É preciso experiência e senilidade para comandar um serviço público”, ressaltou.

Procurada, a Prefeitura de São Caetano do Sul não respondeu aos questionamentos até o fechamento dessa reportagem.

Crédito da foto: PMSCS

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