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Coletivo muçulmano solta nota em solidariedade a Gleisi Hoffmann

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A senadora e presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, vem sendo vítima de ataques xenófobos, fascistas e de discursos de ódio, após ter concedido entrevista à TV Al Jazeera, com sede em Doha, no Catar. Em sua entrevista à TV do mundo árabe e que também distribui conteúdo em inglês para todo o mundo, Gleisi Hoffmann reafirmou que o ex-presidente Lula é um preso político e a perseguição contra ele tem um motivo: impedi-lo de disputar as eleições presidenciais no Brasil em outubro deste ano. Por conta dos ataques, o coletivo intitulado “Muçulmanas e Muçulmanos Contra o Golpe” veio a público com uma nota em solidariedade à senadora.

 

Confira a íntegra do texto.

Nós, muçulmanas e muçulmanos organizados coletivamente no combate e na denúncia ao golpe de Estado em curso no Brasil, manifestamos nossa solidariedade à senadora e presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hofmann, em virtude dos ataques fascistas sofridos por ela após veiculação de vídeo destinado ao mundo árabe.

Primeiro, consideramos importante salientar alguns fatos e dados, cujo desconhecimento promove o avanço do discurso de ódio repetido à exaustão por lideranças golpistas, entre elas, a senadora Ana Amélia, do PP/RS, a mesma responsável por estimular atos de violência contra a caravana de Lula pelo Sul do país, que resultou, inclusive, em um atentado com arma de fogo. São pronunciamentos desastrosos e fascistizantes, como os dessa senhora, que promovem o aumento dos casos de xenofobia e islamofobia.

O chamado “mundo árabe”, citado por Gleisi em seu depoimento à Al Jazeera, reúne vários países e várias religiões. Entre os árabes, há cristãos, muçulmanos, judeus e outros religiosos. Portanto, não é verdade que apenas muçulmanos sejam permitidos nesses países. Os inimigos do Islam, ao atacarem os árabes e chamá-los de terroristas, atacam os adeptos de todas as religiões.

No Brasil, há milhões de árabes e descendentes, a maioria deles, cristãos originários do Líbano e da Síria. Estes árabes que vivem, no caso dos libaneses, há mais de 135 anos no Brasil, também são vítimas em potencial dos intolerantes que se alimentam nos discursos de ódio dos golpistas. 

Ao atrelar as imagens de árabes, especialmente dos muçulmanos, ao terrorismo, os golpistas cometem crime de ódio, que deve ser denunciado pelas entidades islâmicas e apurado pelas autoridades. A irresponsabilidade dessas lideranças pode ser medida nas denúncias diárias de agressões, principalmente contra as muçulmanas, e de ameaças constantes de morte contra destacados membros de nossa comunidade. 

As relações diplomáticas e comerciais do Brasil com os países árabes durante os governos do PT promoveram excelentes resultados para os dois lados. Um dos grandes destaques é para o chamado “agronegócio”, que lucrou bilhões de dólares com a exportação de carne e aves, por exemplo. Portanto, somente aumenta nosso estarrecimento ao notar que a senadora do PP, que se apresenta como uma das porta-vozes dos golpistas e dos promotores do ódio é identificada como membro da “bancada ruralista”. O que as empresas que lucram com os negócios com o mundo árabe pensam dos ataques de Ana Amélia aos seus clientes?

Finalmente, cumpre-nos dizer que a TV Al Jazeera é uma das maiores empresas de comunicação do mundo e responsável pela produção de conteúdo para bilhões de espectadores. É lamentável que uma senadora da República seja tão dada à promoção do ódio, a ponto de “confundir” a séria, competente e internacionalmente reconhecida TV Al Jazeera com um agrupamento minoritário de fundamentalistas que promovem o terror em nome da fé. Em nossa opinião, há muito mais proximidade entre o grupo terrorista com as ideias e pronunciamentos da senadora e com a cobertura de emissora oficial dos golpistas no Brasil, do que com a Al Jazeera e a maioria esmagadora dos quase dois bilhões de muçulmanos espalhados no mundo.

Agradecemos à senadora Gleisi Hoffmann por ter incluído os árabes, assim como já havia feito em relação a emissoras de TV, jornais e rádios da Europa, Ásia, Américas, África e Oceania, em sua mensagem que explicita a perseguição e o processo injusto que resultaram na prisão do presidente Lula. 

Nosso Coletivo, consciente de que não representa todos os muçulmanos brasileiros, continuará na luta contra o golpe, contra todos os fascistas, em defesa do direito de culto, do diálogo inter-religioso e da libertação imediata do presidente Lula. Vamos denunciar, em todas as instâncias possíveis, a irresponsabilidade das lideranças golpistas, que colocam a integridade física e moral de milhões de descendentes de árabes e de muçulmanos, especialmente os brasileiros convertidos, em risco iminente.

 

Brasil, 19 de abril de 2018.

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