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Professores denunciam descaso da gestão de Paulo Serra na educação

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Em carta aberta dirigida ao prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), os professores da EMEIEF Homero Thon, escola da Prefeitura de Santo André, demonstraram descontentamento em relação às ações da Secretaria de Educação. Segundo docentes, as determinações da Pasta estão colocando em risco a qualidade da educação das escolas municipais.

No documento, os educadores criticam o programa do Sebrae alegando que a proposta não faz parte do Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola e, portanto, não dialoga com os objetivos pensados para a EMEIEF Homero Thon e com as discussões sobre a reorganização curricular da rede. A carta também ressalta que a secretaria não conversou, antecipadamente, com os professores sobre os objetivos do projeto para a aprendizagem dos alunos na faixa etária atendida.

As mesmas críticas foram feitas ao Projeto Ler Faz Bem que, segundo os docentes, apresenta concepções inadequadas em relação ao trabalho com leitura, atividade que era realizada com base nos conhecimentos adquiridos em cursos de formações superiores. Para os professores, o programa fere a concepção do desenvolvimento da leitura nas escolas.

Outra questão apontada pelos profissionais de educação refere-se ao mal usos do dinheiro público. Eles afirmam que os cerca de R$ 3 milhões gastos em materiais não contribuirá para a aprendizagem dos alunos. E reiteram que os documentos utilizados no processo de ensino-aprendizagem não têm vínculo com o Ministério da Educação como, por exemplo, a Base Nacional Comum Curricular.

Por fim, os professores se mostram insatisfeitos com a desvalorização das reuniões pedagógicas semanais das escolas. Segundo eles, os encontros têm ocorrido com um número cada vez menor de docentes, o que tem prejudicado o planejamento das escolas.

 

Leia abaixo a carta na íntegra:

Carta Aberta

Nós, professores da EMEIEF Homero Thon, escola da Prefeitura de Santo André, socializamos nosso descontentamento em relação às ações da Secretaria de Educação que colocam em risco a qualidade da educação das escolas municipais.

Projetos Pedagógicos Inadequados:

Projeto do SEBRAE

  • o projeto não faz parte do Projeto Político Pedagógico (PPP) da nossa escola e, portanto, não dialoga com os objetivos pensados para a EMEIEF Homero Thon e com as discussões sobre a reorganização curricular da rede;
  • a Secretaria de Educação não conversou antecipadamente conosco sobre os objetivos do projeto para a aprendizagem dos alunos na faixa etária que atendemos;
  • acreditamos que seja necessário garantir projetos capazes de promover mudanças significativas na aprendizagem dos alunos, para isso, é preciso que a Secretaria de Educação junto com as equipes gestoras, professores, demais equipes de apoio e a comunidade conversem e decidam juntas para atender as reais necessidades da escola;
  • somos obrigados a participar da formação do SEBRAE, o que prejudicará nosso planejamento e a organização das atividades pedagógicas na escola.

Por todos os motivos, nós, professores da EMEIEF Homero Thon, somos contrários à participação nesta formação, seja presencial ou a distância, no entanto, também não gostaríamos de ser prejudicados funcionalmente por estar em nosso horário de trabalho na Unidade Escolar cumprindo com o que já havíamos planejado.

Projeto Ler Faz Bem

  • mais um projeto que não foi discutido antecipadamente com os professores;
  • apresenta concepções inadequadas em relação ao trabalho com leitura, trabalho este que estamos realizando com base em muitos conhecimentos adquiridos por meio de formações diversas e que nos levam a perceber o quanto este projeto fere a concepção do desenvolvimento da leitura nas escolas;
  • equívoco no uso do dinheiro público, cerca de três milhões gastos em material que não contribuirá para a aprendizagem dos alunos, não tem relação com o PPP, com a discussão curricular da rede e muito menos com os documentos oficiais do Ministério da Educação, como por exemplo, a Base Nacional Comum Curricular.

Deixamos registrado que não iremos trabalhar com esse material equivocado e com concepções contraditórias que ferem o PPP da escola, os princípios e objetivos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I, apresentados nos documentos oficiais que regulamentam nossa prática.

Desvalorização das reuniões pedagógicas semanais das escolas

  • em virtude destes e outros projetos definidos pela Secretaria de Educação, a Reunião Pedagógica Semanal na escola, espaço de discussão coletiva tão importante para garantia da gestão democrática, tem acontecido com um número reduzido de professores;
  • a saída dos professores das Reuniões Pedagógicas Semanais tem prejudicado o planejamento, o preenchimento das fichas de avaliação dos alunos, as discussões e orientações pedagógicas da escola, as reflexões sobre as práticas, a troca de experiências, a organização das aulas, os encaminhamentos gerais da escola, o que interferirá negativamente nos processos de ensino e aprendizagem.

Mau uso do dinheiro da educação

  • não temos nas escolas informações sobre o orçamento da prefeitura para gastos com a educação;
  • estamos em um momento de corte dos gastos e uma gestão mais rigorosa em relação ao dinheiro público, de forma que projetos que são implantados na rede deveriam ser muito bem planejados, levando em conta a real necessidade da rede municipal e a atual situação financeira da prefeitura, o que não tem acontecido;
  • o uso do dinheiro público deve priorizar as necessidades frente às demandas da rede. As necessidades das escolas em relação à manutenção, mobiliários, encaminhamentos e atendimentos dos alunos com baixo rendimento escolar são muito mais importantes do que gastar dinheiro com projetos descontextualizados.

 

 

Formações Superficiais

  • as formações oferecidas pelo Departamento de Educação Infantil e Ensino fundamental (DEIEF) referentes ao Projeto Ler Faz Bem, PNAIC e MindLab não têm atendido nossas expectativas. Não podemos aceitar formações rasas e superficiais que não levam em conta aprofundamentos teóricos e conceituais e desqualificam nossa formação acadêmica. Deixamos as Reuniões Pedagógicas Semanais da escola para ouvir exatamente o que está escrito no livro que recebemos. Para avançarmos nas discussões e na qualificação do trabalho pedagógico precisamos de discussões sólidas e aprofundadas que acrescentem novos conhecimentos.

 

Desrespeito ao art.3º, inciso VIII, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) que estabelece a gestão democrática nos estabelecimentos de ensino público.

  • Todos os projetos citados neste documento foram apresentados às escolas como obrigatórios, sem possibilidade de discussão, reflexão e escolha, não levam em conta o Plano Político Pedagógico e, consequentemente, as necessidades de aprendizagem dos alunos.

 

Diante do exposto, estamos em um momento difícil, de desqualificação e desvalorização de uma rede de educação que, até então, é referência nacional. Preocupados e primando pela qualidade da educação nas escolas municipais:

Solicitamos ao Prefeito Paulo Serra, o acompanhamento minucioso das dificuldades que estamos enfrentando para garantir a continuidade e a qualidade do trabalho pedagógico na escola e na rede.

À Secretaria de Educação, a retomada dos fundamentos e princípios pedagógicos da rede municipal, a valorização das reuniões pedagógicas semanais, formações qualificadas, o cumprimento do preceito legal da gestão democrática e o planejamento do orçamento da educação junto aos professores.

À Comissão de Educação da Câmara Municipal de Santo André, ao Fórum Municipal de Educação e à Comunidade Acadêmica, que nos ajudem com encaminhamentos e estratégias para reverter essa situação.

À Sociedade, o acompanhamento dos rumos de Educação Municipal e o apoio para garantirmos uma Educação de qualidade nas escolas Municipais de Santo André.

Colocamo-nos à disposição

Respeitosamente,

Professores

EMEIEF Homero Thon

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