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Lula despede-se de apoiadores em São Bernardo e vai com PF para Curitiba

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou no início da noite deste sábado (7) o prédio do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para se apresentar à Polícia Federal. Horas antes, Lula tentou deixar o local, mas manifestantes impediram a sua saída. Lula chegou à sede da PF em Curitiba por volta das 22h30.

Mais cedo, o bispo Dom Angélico Sândalo celebrou uma missa em frente ao sindicato em homenagem à esposa falecida do ex-presidente, Dona Marisa Letícia, que completaria 68 neste dia 7, e até o momento o último ato de Lula em liberdade.

A cerimônia religiosa foi marcada por falas pedindo paz, mas também resistência contra a injustiça do Poder Judiciário, “que condenou um inocente”. O líder religioso afirmou que não se tratava de um ato político, mas de uma súplica pela paz, justiça, misericórdia e solidariedade. No carro de som, a ex-presidenta Dilma Rousseff também falou em paz e luta por justiça.

Logo após a missa, Lula iniciou o seu discurso dizendo que “eles acham que tudo que acontece neste país é por causa do Lula”, quando foi interrompido por apoiadores dizendo “não se entrega”.

“Estou fazendo uma coisa muito consciente. A história vai provar que quem cometeu crime foi o delegado que me acusou, o juiz que me julgou e o Ministério Público que foi leviano comigo. Vou enfrentá-los aceitando cumprir o mandado. Quero saber quantos dias vão achar que estão me prendendo. Quanto mais dias me deixarem lá, mais Lulas vão nascer no País. Todos vocês vão virar Lula”, disse o ex-presidente, acrescentando que, por vontade própria, não aceitaria a decisão judicial. Mas lembrou que o juiz Sérgio Moro já acenava com uma prisão preventiva, o que tornaria sua situação mais difícil.

Lula reiterou que não é contra a Operação Lava Jato e que sempre defendeu a prisão de corruptos. “O problema é que você não pode fazer julgamento subordinado à imprensa. Quem quiser votar com base na opinião pública, largue a toga e vá ser candidato. Eu não estou acima da Justiça. Eu acredito numa Justiça justa, baseada nos autos do processo e nas provas.”

E reafirmou que o Ministério Público e o juiz Moro mentiram. Ao lado de Dilma Rousseff, o ex-presidente afirmou que ela é, “provavelmente, a mais injustiçada das mulheres que um dia ousaram fazer política neste país”. “A Dilma foi a pessoa que me deu tranquilidade de fazer quase tudo o que eu fiz na Presidência da República.”

 

Líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile disse que a mobilização vai continuar. “Não adianta chorar. O Lula explicou que essa não é uma demonstração de fraqueza. É uma estratégia de devolver a responsabilidade para o outro lado. É hora de resistência e luta. A militância tem de ir para a rua.”

“Eu sei quem são meus amigos eternos e quem são meus amigos eventuais”, disse Lula, emocionado, pouco antes de descer do carro e ser carregado pelos braços de sindicalistas até o saguão do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

 

* Colaboração RBA

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