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Em artigo, The New York Times critica falta de provas em julgamento de Lula

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O jornal norte-americano The New York Times publicou, em sua edição de terça-feira (23), artigo em que classifica o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um “empurrão na democracia para o abismo”. Segundo o colunista Mark Weisbrot, não há grandes expectativas de que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) seja imparcial.

Em seu texto, Weisbrot ressalta que a jovem democracia brasileira pode ficar ainda mais corroída quando um tribunal de apelação, composto por três magistrados, decidir pelo impedimento de Lula nas eleições presidenciais deste ano. Também chama à atenção para a “conduta de Moro durante o processo que levou o ex-presidente aos tribunais”.

Colunista e co-diretor do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas, sediado em Washington, o jornalista é contundente e faz a seguinte afirmação: “O juiz Sérgio Moro já demonstrou seu próprio partidarismo em numerosas ocasiões. Ele teve que pedir desculpas ao Supremo Tribunal em 2016 por divulgar conversas telefônicas entre o Sr. da Silva (Lula) e a presidente Dilma Rousseff, seu advogado, sua esposa e filhos. O juiz Moro organizou um espetáculo para a imprensa em que a polícia apareceu na casa do Sr. da Silva e levou-o para interrogatório – apesar de o Sr. da Silva ter dito que iria se apresentar voluntariamente para interrogatório”.

Para Weisbrot, “As provas contra o Sr. da Silva estão muito abaixo dos padrões que seriam levados a sério, por exemplo, no sistema judicial dos Estados Unidos”.

O texto também relata que não há provas documentais contra o ex-presidente e afirma que, em território norte-americano, o processo e a condenação seriam considerados um “tribunal canguru” (numa tradução livre de “kangaroo court”, isto é, um tribunal fechado em si mesmo, que só ouve e investiga o que levará a comprovar suas convicções), pela escassez de evidências de que Lula tenha cometido qualquer espécie de crime.

Ainda de acordo com o artigo do NY Times, se Lula for impedido de participar da eleição presidencial, o resultado do pleito pode ter “pouca legitimidade”, como nas eleições hondurenhas de novembro de 2017. “Uma pesquisa no ano passado descobriu que 42,7% dos brasileiros acreditavam que o Sr. da Silva estava sendo perseguido pelos meios de comunicação e pelo Judiciário. Uma eleição desacreditada pode ser politicamente desestabilizadora”, diz.

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