Início São Bernardo do Campo Mulheres e negros são maioria das 12 mil famílias da Ocupação Povo Sem Medo, aponta pesquisa

Mulheres e negros são maioria das 12 mil famílias da Ocupação Povo Sem Medo, aponta pesquisa

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Dificuldade em se manter na escola, empregos precários, desemprego, problemas de saúde e doenças do trabalho, renda comprometida com aluguel e população predominante constituída por mulheres e negros. Esse é o perfil demográfico e socioeconômico dos moradores da Ocupação Povo Sem Medo de São Bernardo, revelado pela pesquisa “Teto e Trabalho”. O levantamento foi realizado pela CUT, Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Fundação Friedrich Ebert – Brasil e Dieese, nos dias 30 de setembro e 1º e 8 de outubro, com 575 entrevistados.

“As famílias da ocupação são tipicamente brasileiras. O que significa que a maior parte da população do País está em uma situação de vulnerabilidade muito grande”, ressaltou a socióloga do Dieese e uma das coordenadoras da pesquisa, Adriana Marcolino.

Segundo ela, os dados mostram a forte desigualdade que ainda existe no Brasil. “O estudo demonstra que o trabalho formal pode ser sinônimo de pobreza, se não acompanhado de políticas sociais, como a valorização do salário mínimo”, afirmou.

O levantamento mostra que 53,4% dos moradores são mulheres, enquanto os homens representam 46,6%. Quanto à questão de cor ou raça, 59,8% se declaram negros ou pardos, e 35,4%, brancos.

Para Guilherme Boulos, da coordenação nacional do MTST, o estudo confirma o verdadeiro retrato do Brasil, bem diferente do que é mostrado pela mídia tradicional.

“O Brasil vive uma recessão terrível. O País andou 8% para trás na economia. 14 milhões de desempregados. A última informação do PIB revelou que os empregos criados são majoritariamente informais. Nesse momento que o Estado devia intervir mais promovendo políticas públicas, o governo faz exatamente o contrário. Há dois anos não temos uma contratação nova do Minha Casa, Minha Vida faixa 1. A questão da moradia é um barril de pólvora”, disse Boulos.

As ocupações mais frequentes dos moradores são diarista, ajudante geral, auxiliar de limpeza, garçom, motorista, auxiliar administrativo, operador de telemarketing e pedreiro. O levantamento também revelou que 30,7% das 12 mil famílias – cerca de 33 mil pessoas – moradoras da ocupação Povo Sem Medo, recebe o benefício do Bolsa Família. E que a maior parte das famílias é composta por até três integrantes (62,2%).

Ainda de acordo com a pesquisa, 59,4% das famílias foram para a ocupação porque não conseguiam pagar aluguel ou moravam de favor. De acordo com João Cayres, secretário geral da CUT São Paulo, a crise imposta ao País e as políticas impopulares do governo de Michel Temer agravam ainda mais a situação da população.

Crédito da foto: Roberto Parizotti/CUT

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