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Mais profissionais de Saúde são demitidos pelo governo Orlando Morando

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Agentes Comunitários de Saúde (ACSs), enfermeiras, técnicos, médicos e fisioterapeutas estão sendo demitidos pela Prefeitura de São Bernardo. O clima entre profissionais que trabalham na Saúde da cidade é de total apreensão por conta das demissões do prefeito Orlando Morando (PSDB). De acordo com integrantes do grupo de ACSs, criado no Whatzap, mais de 130 profissionais foram dispensadas. E mais: também estão sendo demitidos técnicos bucais, enfermeiras e profissionais de fisioterapia.

Entre as unidades mais afetadas pelas demissões dos ACSs estão as UBSs Jardim Silvina, Jardim Ipê, Vila União, Areião, Montanhão, Pauliceia, Jardim do Lago, São Pedro, Rudge Ramos, Batistini, Farina, Vila Deise, Vila Euclides, Santa Cruz e Jardim do Mar.

Leia, abaixo, o desabado de uma fisioterapeuta, com especialidade de Equoterapia, que escreveu uma carta aberta à população de São Bernardo alertando sobre o desmonte da saúde da cidade.

Carta da fisioterapeuta Juliana Nogueira Rocha Lacerda

“Precisamos que todos os envolvidos na gestão direta e a população tenham ciência dos fatos aos quais relatarei abaixo.

Tenho o dever moral de dizer a verdade devido ao compromisso ético que proferi ao fazer o juramento da minha profissão, ao compromisso com meus deveres como cidadã e à obrigação de buscar o melhor às pessoas com deficiência pelas quais sempre me dediquei, e que foi o único motivo da minha luta em 10 anos de carreira no SUS.

Infelizmente, fui demitida há algumas semanas e sei que por motivos que vão além de profissionalismo e qualificação, mas, segundo o que ouvi no momento do desligamento, por não ter o perfil para o que essa gestão pensa para a Equoterapia. Minha saída gerou uma repercussão imensa e perplexidade de muitos, incluindo inúmeras pessoas dessa gestão, que sabem e reconhecem meu trabalho sem envolvimento partidário e as quais já vínhamos desenvolvendo ações importantes.

Se ter toda qualificação técnica possível, ter feito Mestrado, MBA em gestão Pública, curso de extensão universitária com a precursora da Equoterapia no Brasil, cursos na maior universidade do cavalo da América Latina, ter 10 anos de experiência de SUS, ter feito meu trabalho em cobrar e lutar pela Equoterapia, apresentado projeto de extrema qualidade, com o melhor para a ampliação, apesar de pensar em baixos custos e potencialização do serviço, não me faz ter o perfil, realmente só posso pensar que o prognóstico para o serviço não é nada bom. Então qual é o projeto que essa gestão tem para a Equoterapia?

Se eu não entendo o que é melhor para a Equoterapia, é uma pessoa que nunca trabalhou na área ou fez um curso sequer de qualificação que entende? Apenas não posso me calar como cidadã e munícipe, com relação ao que está ocorrendo na Equoterapia de São Bernardo do Campo.

A indicada da nova chefe da reabilitação está contratada como Fisioterapeuta atendendo pacientes e respondendo assuntos internos como e-mails e solicitações da nova chefe, não tem Know-how, bem como, tem outras prioridades, não estando 100% dedicada ao serviço como eu sempre estive e como a Equoterapia necessita.

Está no direito correto dela, quem tem cargo para trabalhar administrativamente e como coordenação técnica, não é ela! Ressalto ainda que oficial administrativo não é gerente de unidade, como estão tentando fazer também! Se assim fosse, poderiam demitir todos os gerentes de CAPS e UBS por exemplo.

Em um mês foi feito o “diagnóstico” da reabilitação pela nova chefia, que só tem no curriculum graduação em Fisioterapia e tentativas de eleição a cargos políticos, tenho certeza que pela falta de entendimento, não contou com tantas especificidades importantes daquele serviço, mesmo eu tentando alertar e achou que, por ser relativamente uma unidade com poucos funcionários, não precisava de uma gestão excelente, localmente. Precisa aprender que números nem sempre refletem complexidade.

Os animais estão idosos e com questões de saúde, e ela mandou zerar a lista de espera (ainda enquanto eu estava lá) sem pensar na saúde, qualidade de vida e bem-estar dos mesmos, isso é um absurdo desumano!

Todos os processos estão bagunçados, sem organização e follow-up, e o clima entre a equipe está terrível, obviamente. Ter um gestor apenas político, que aparece lá de vez em quando e que diz que ficará apenas dois anos ‘aqui pois irá voltar a se candidatar como vereadora’, sem nenhuma qualificação ou experiência como gestor do SUS, destrói qualquer processo de trabalho e não irá obter respeito e o máximo de capacidade em nenhuma equipe que “liderar”.

Enfim, espero que olhem pela Equoterapia com o olhar qualitativo que ela merece, por ser parte fundamental da reabilitação que não se resume apenas ao CER, mas deve atingir todos os munícipes que precisam de reabilitação física, mental ou social.

O potencial daquele lugar é incrivelmente grande no que cerne às melhoras da vida das pessoas, não pode ser tratado com esse descaso e falta de respeito que a atual gestão está tendo!”

 

Juliana Nogueira Rocha Lacerda

Fisioterapeuta desde 2007

Mestranda pela UNIFESP

Extensão universitária em Equoterapia pela Fundação de Ensino e Pesquisa em Equoterapia Rancho GG

Especialista em Administração de Centros Equestres pela Universidade do Cavalo

MBA em Gestão Pública

Inúmeras participações em congressos, workshops e cursos da área da Pessoa com Deficiência e Equoterapia

Apresentação de trabalhos em Mostras de Saúde e conferências da Pessoa com Deficiência

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