Início Categorias Economia Metalúrgicos do ABC conquistam salvaguarda contra Reforma Trabalhista e iniciam greve em empresas sem acordo

Metalúrgicos do ABC conquistam salvaguarda contra Reforma Trabalhista e iniciam greve em empresas sem acordo

0
0
830

Em campanha salarial desde 1º de setembro, data-base da categoria, os Metalúrgicos do ABC aprovaram no dia 24 em assembleia as propostas apresentadas pelos grupos patronais de Estamparia, Fundição e Grupo 8, que reúne os sindicatos de empresas de trefilação, laminação e artefatos de metal.

A negociação, conduzida pela Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT (FEM-CUT), garantiu a reposição da inflação do período pelo INPC – de 1,73% – e a renovação das convenções coletivas de trabalho assinadas no ano passado com a inclusão de uma “cláusula de salvaguarda”, que assegura aos trabalhadores que as alterações na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), previstas pela Reforma Trabalhista, não sejam aplicadas sem que haja negociação com o sindicato.

Os trabalhadores também decidiram iniciar uma série de paralisações nas empresas dos Grupos 3, 10 e Sindicel, que ainda não apresentaram propostas viáveis para negociação com a Federação. Na manhã de quarta-feira (25), cerca de 1,3 mil trabalhadores entraram em greve nas fábricas Parker e Nakata, em Diadema, e ZF e Fiamm, em São Bernardo. O movimento deve continuar nos próximos dias, mas as empresas que se comprometerem a assinar acordo diretamente com o sindicato não serão paralisadas.

“Essa tem sido, infelizmente, uma prática desse grupo patronal, que há quatro anos não aceita assinar a Convenção Coletiva. O que acontece é que grande parte das empresas acabam procurando o sindicato para firmar o acordo, independentemente da decisão da sua bancada. Isso já está acontecendo. Várias empresas desse setor já se comprometeram a vir ao sindicato na semana que vem para assinar o acordo coletivo, nas mesmas condições negociadas com os outros grupos”, explica o presidente do Sindicato, Wagner Santana, o Wagnão.

Wagnão ressalta a importância da assinatura desses acordos, com a cláusula de salvaguardas. “Nosso foco na campanha salarial deste ano tem sido a obtenção dessa proteção, que assegura o papel do sindicato como mediador entre as empresas e o trabalhador, garantindo que elas não avancem sobre direitos com base na nova legislação. Qualquer alteração terá de passar pela negociação com o sindicato e isso é fundamental, pois essa campanha está nos mostrando o quanto a bancada patronal está empenhada retirar cláusulas historicamente conquistadas da categoria, como a estabilidade ao acidentado, entre outras”, aponta.

Os Grupos 8, Forjaria e Estamparia representam 14 mil trabalhadores na base do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Com o Grupo 2, que representa cerca de 13,4 mil trabalhadores, a convenção coletiva também já está assinada, pois a negociação feita em 2016 tem validade por dois anos. Como as montadoras negociam em separado e fecham, em geral, acordos coletivos de longo prazo, a campanha salarial de 2017 já está finalizada para cerca de 75% dos trabalhadores da base, faltando os cerca de 9,5 mil trabalhadores do Grupo 10 e os 14 mil do Grupo 3. Em todo o Estado de São Paulo estão em campanha salarial cerca de 198 mil metalúrgicos.

Fotos: Adonis Guerra

Carregar artigos semelhantes
Carregar mais em Economia

Deixe uma resposta

Veja também

Natal solidário: compre presentes produzidos por seu vizinho

A um pouco mais de um mês do Natal, muita gente deve estar pensando no que dar para filhos…