“Só estamos aqui porque não temos condição de pagar aluguel. Essa ocupação é a nossa esperança de conseguir moradia.” A frase é de Maria Teresa Cristina dos Santos, 58 anos, moradora de São Bernardo há mais de 25 anos, mas traduz o desejo das mais de 7 mil pessoas que atualmente se aglomeram no local, agora denominado Ocupação Povo Sem Medo, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

O terreno, desocupado há mais de 30 anos, de propriedade da construtora MZM, fica próximo à Scania e é rodeado por prédios residenciais, de um lado, e por casas da Vila Comunitária, do outro.

Líderes do movimento e centenas de famílias realizaram passeatas pela cidade e têm buscado o diálogo com o prefeito de São Bernardo do Campo, mas sem sucesso. O prefeito Orlando Morando (PSDB) se nega a receber os ocupantes para dialogar e auxiliar na busca de uma solução. Uma comissão chegou a ser recebida pelo secretário de Assuntos Jurídicos, José Carlos Pagliuca, que apenas reiterou a política de habitação do município.

Em 2014, a administração do então prefeito Luiz Marinho (PT) notificou a proprietária pelo não cumprimento de função social da propriedade e exigiu um plano de parcelamento da área, que nunca ocorreu. Após a ocupação do MTST, a construtora ingressou com pedido de reintegração de posse e conseguiu liminar concedida pelo juiz Fernando de Oliveira Ladeira autorizando a Polícia Militar a executar a ordem de despejo, mas a brigada jurídica da ocupação recorreu da decisão e conseguiu suspender temporariamente a decisão.

O desemprego também é uma das marcas entre milhares de famílias que estão na ocupação. Histórias que se confundem no dia a dia com a esperança e o sonho da casa própria.

“Tenho três filhos entre 4 e 9 anos. Estou sem emprego desde o fim do ano passado. Entre pagar aluguel e alimentar minha família, optei em levar comida pra casa. Me juntei a essa ocupação na esperança de conseguir uma casa”, diz José Francisco Lima, que aderiu ao movimento na segunda semana da ocupação.

Pela quantidade de pessoas na ocupação, ela já é considerada a segunda maior do País, atrás apenas da Vila Nova Palestina, na zona sul de São Paulo, que reúne 8 mil pessoas. Segundo os organizadores e lideranças da Ocupação Povo Sem Medo de São Bernardo, não deve ser permitida a entrada de novos moradores para que seja feita a organização das centenas de famílias atualmente no local.

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